O Bobo da Corte de Azuis...
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| Imagem: Google (Editada por Ray Andrade) |
Cansada
de mais um dia de trabalho, pego meu caderno para estudar. Como amanhã seria
mais um dia de aula era bom adiantar o aprendizado, mas não conseguia me
concentrar e então resolvi desenhar.
Em
alguns segundinhos desenhei apenas um chapéu roxo, como se fosse um gorro e nele
tinha bolinhas amarelas. Parei e comecei a rir, pois ficou parecendo com
aqueles gorros de bobo da corte.
Meus risos
levaram-me a criatividade e desenhei ao lado uma coroa. Ficou muito legal os
dois juntos e então os emendei ao desenho de um castelo. O gorro e a coroa
ficaram nas torres, aquilo me deu criatividade para escrever, mas a preguiça me
fez deitar no sofá e dormir. Foi então que tudo começou.
Comecei
a sentir meu corpo caindo e caindo, mas na verdade ele estava encolhendo. Parei
em um jardim cheio de rosas azuis, e estava com um vestido de princesa da cor
azul marinho, porém sem coroa. Estava perdida olhado para todos os lados, até
que apareceu uma carruagem. Desceu um bobo da corte e abriu a porta para um príncipe.
O príncipe
descendo os degraus me chamou de um nome que não era o meu. E pela segunda vez
chamou:
“_Diamantina!
Querida, o que fazes aqui? Você não poderia estar aqui, sabe muito bem que a
fera quer te pegar!”.
Não
sabia nem o que falar, não conhecia aquele príncipe e não me simpatizei com
ele. Apesar de ser bonito era bem arrogante, me pegou pelo braço meio forte e
me levou até a carruagem. Vendo aquilo o bobo da corte disse à ele:
“_
Cuidado Senhor, não aperte tanto ela é uma princesa”. E com arrogância o
príncipe respondeu:
“_ Não
me diga como devo ou não cuidar de minha noiva. A leve para a torre e não a
deixe sair, a fera pode mata-la”.
Abaixando
a cabeça o bobo não disse uma palavra se quer, até que eu disse:
“_ Bobo,
por que isso tudo?”. Um pouco assustado ele sussurrou.
“_ Ai terra
de azuis... A princesa já está se esquecendo de tudo”.
“_ De
tudo o que? Se estou esquecendo peço que me lembre” E então o bobo começou a me
contar.
O tal príncipe
era Fortunato, o príncipe que meus pais me deram antes de serem transformados
em estatuas pela fera. Essa tal fera queria o reino para ela, segundo o que
todos diziam, e por eu ser a herdeira do reino me caçava em todos os lugares.
Porém ela só podia me transformas em estatua quando fosse lua nova.
O bobo
se chamava Mortal e também me contou que no dia em que meus pais foram
transformados, eu tinha apenas um ano de vida assim como ele. E por meus pais
não poderem mais proteger o reino os bobos da corte perderam a felicidade.
Ele
disse que seus pais também viraram estatuas e que ele só não morreu porque eu
estava viva, e então todas as crianças do reino que tinham um ano de vida não morreram, porém ninguém destruiu a fera. Por que ele lançou uma maldição do
esquecimento em mim, onde quando chegasse minha idade de reinar eu esqueceria
tudo e todos se renderiam a ela.
O reino
foi construído por dois irmãos, um rei e o outro desejou ser bobo da corte,
pois amava a felicidade dos outros e o príncipe era meu pai. Mas daí perguntei
à Mortal:
“_ Mas
se a felicidade de vocês é fazer alguém feliz, porque não está feliz?”. Me
mostrando as torres do castelo, que eram em forma de coroa e a outra em formato
de gorro ele disse:
“_ A
ferra lançou uma tristeza em nós bobos. E nos proibiu de fazer alguém sorrir se
não morremos.”. Daí em diante ficamos mudos, pois a historia era tão triste que
não soube o que falar.
Não
demorou muito e chagamos a torre, eu não queria ficar lá sozinha. Quando o
bobo ia me trancar lá por ordem de Fortunato o segurei pelo braço e disse:
“_
Mortal, não me deixe aqui sozinha!”. E então ele me respondeu:
"_
Quando estiver triste não posso te alegrar, então chame as botas e posso voar.”.
Ele
fechou o cadeado e não entendi nada. Chegou à noite e me senti tão só, eu
queria tanto ver o bobo. Por mais que ele não me fizesse rir ele já me fazia
bem. Daí olhei para o céu e se aproximava o dia de lua nova, me deu medo e
tristeza então lembrei das palavrinhas do Mortal e pela janela repeti o que ele
disse:
“_Quando
estiver triste não posso te alegrar, então chame as botas e posso voar”.
Quando
eu terminei de dizer algumas folhagens se abriram e começaram a aparecer os degraus de uma escada
e lá no finalzinho eu vi o Mortal subindo. Terminando de subir ele disse:
“_ Ué...
Achou que eu ia voar? Para ver princesas dá trabalho.” Eu ri e ele assustado
disse:
“_ Pare!
Não ria... Seu riso feras podem ouvir.”. O ajudei a termina de subir e ali
ficamos conversando a noite toda. Só que ao amanhecer as escadas sumiram e
Mortal não conseguiria descer. Foi quando de repente ouvimos os cadeados abrirem,
e quem abria era o príncipe Fortunato.
Foi um
momento de desespero, pois os guardas que estavam com o príncipe levaram Mortal
para a outra torre com formato de gorro. Perguntei para Fortunato porque de tudo
aquilo, mas ele só me olhava com um olhar de fúria e saiu dali apenas me
dizendo:
“_É bom
que fique aqui hoje é o dia de lua nova, os bobos não devem ficar a solta!”.
Fiquei
pensando, por que não? O que ele tem haver com isso tudo? E o bobo não é a fera,
ou é? Até que pensei, será que os bobos podem quebrar a maldição ou é a
maldição.
De
repente comecei a ouvir sons como os da fera, meu coração apertou, pois
fiquei pensando no Mortal. Fiquei tão triste que meu coração ficou fraco, então
me sentei e apoiei em um baú, e repetia em voz alta o que minha mente dizia:
“_ Meu
bobo da corte, como está você Mortal?”. Não sei quantas vezes repeti isso, mas
só sei que o baú começou a se abrir. Parecia mentira, mas quando terminou de se
abrir, vi uma chave. Não pensei duas vezes e tentei abrir a porta, mas para
minha tristeza não era de lá.
“_Oh
mundo de tristeza, será que não verei mais sua beleza?”. Foi então que me
encostei na porte e aos poucos sentando-me no chão. Sentei e percebi que
embaixo daquele tapete o chão era oco. Puxei o tapete com força, pois era
pesado e tinha nele uma passagem com escadas sem fim, descia e descia, mas
parecia que nunca chegava a nada.
Quando
cheguei onde tinha que chegar, vi inúmeras estatuas, então comecei a lembrar de
imagens, que não eram nítidas porque eu via pessoas sendo mortas e outras como
meus pais virando estatuas. Quando iria correr dali ouvi a porta batendo e o
som da fera pisando forte como se estivesse chegando muito perto.
E então
ela apareceu na minha frente. Com muito medo eu corria, até que Fortunato
apareceu com uma espada e começou a lutar com a fera. Mas a luta estava
estranha porque a fera parecia se afastar e não queria o machucar.
Fortunato
estava perto de acerta-lo letalmente, então gritei:
“_Fortunato...não!”.
Isso foi sua distração para levar um golpe que o desacordou. Corri parar socorre-lo
e a fera se aproximou de mim, encurralada na parede e com medo, fechei meus
olhos, pois pensei que iria morrer.
Mas não,
a fera com o rosto pegou a espada de Fortunato e a colocava perto de mim como
se quisesse que eu o ferisse. Quando olhei na espada estava gravada a seguinte
frase: “Faça uma escolha se acreditar na felicidade, e solte gargalhadas de
verdade.” Então olhei nos olhos da fera e vi cair uma lagrima e tinha uma
tristeza como de Mortal, o abracei e disse:
“_ Você
é o melhor bobo do mundo...”. De repente Fortunato se levanta e nos vendo abraçados,
pega sua espada e fere.
“_Mortal!”.
Foi a única coisa que consegui dizer. Mas olhei direito, não tinha ferido o
Mortal, Fortunato apenas cortou com a espada um colar. A fera vinha tomando forma do Mortal, mas eu
sentia minhas pernas fracas, minhas mãos tremulas e desfaleci.
Naquele
momento Fortunato apenas me olhava, pois tinha feito sua escolha. Mortal era
seu irmão, que assim como seu pai escolheu ser bobo e não príncipe. Fortunato chorava
enquanto Mortal acorda meio tonto e vendo a tristeza de seu irmão o abraça e
pergunta:
“_Fez
sua escolha acreditando na sua felicidade. Mas e a dos outros meu irmão?”.
Fortunato muda seu semblante e responde com ódio e alegria nos olhos:
“_Escolhas?
Eu nunca escolhi ser bobo da corte como nosso pai. Estava tudo certo para eu
ser príncipe, me casando com Diamantina, eu o filho mais velho dos bobos, que
com muita tristeza consegui virar fera aquele tempo e lançar em vocês toda
minha tristeza e o gelo do meu coração transformaram todos em estatuas. Lancei
em você o protegido de papai a fera que havia dentro de mim. Mas você com sua
alegria pouca conseguia controlar essa fera com esse colar ridículo. O quebrei
para que sua fonte de felicidade, Diamantina morresse e aos poucos você também
morrerá e com então tudo isso será meu!”.
Mortal
assustado com as artimanhas de seu próprio irmão, chora e se achega a
Diamantina que estava no chão. Até que ele nota que faltava em Diamantina e
nele suas identificações de princesa e bobo da corte.
Então
corre entre as estatuas procurando seu pai e a mãe de Diamantina, e tomou de suas
cabeças o gorro e a coroa, às colocando em sua cabeça e na dela. Perdido
Fortunato pergunta:
“_O que
está fazendo? Acha mesmo que isso ajudará em alguma coisa?”. Mortal terminando
de colocar a coroa na cabeça de Diamantina diz:
“_ Todos
dizem que príncipes e princesas nascem para estar juntos, mas nem sempre o
felizes para sempre vem dos reis, mas sim dos bobos que nos fazem sorrir. Se eu
escolhi você é porque te amo e se me amas Diamantina há de sorrir com os bobos.”.
Perplexo
com o que vê Fortunato vai se afastando, pois uma luz forte começa a rodear
Diamantina e Mortal. Sem acreditar Fortunato vê todas às estatuas se desfazendo
e voltando a forma humana, e a princesa vai tomando cor. Então pega sua espada
que estava no chão e corre para atacar Mortal pelas costas, mas então
Diamantina toma um fôlego e abre os olhos, naquele momento Fortunato parou e
começou a se transformar em estatua.
Diamantina
abraça Mortal com força e diz:
“_ Se
tudo for um sonho não me acorde nunca!”.
Pedi
errado, pois acordei. Olhei para os lados e gargalhava sozinha, pois dormi a tarde
todinha e sonhei. Pelo menos eu entendi que a felicidade vem de escolhas
sinceras e que ser “bobo” é ser feliz, o importante e sorrir de verdade.

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